Harry Potter e sua saga

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Harry Potter e a sua saga final: queria tanto assistir e assisti. E agora eu preciso escrever sobre isso, mesmo que meio rápido e com possíveis erros gramaticais, pois assisti no sábado e hoje já é terça… e quanto mais eu demorar para escrever, mais os detalhes estarão fugindo e dobrando a esquina do esquecimento, me deixando sem a sua riqueza e beleza das lembranças.

Sábado fui com namorado, cunhado e sogrinho assistir ao último filme da saga do bruxinho Harry Potter.

O filme é uma graça e segue o padrão de qualidade dos anteriores, com fotografia linda e enredo que se encaixa perfeitamente do início ao fim. Claro, ler é sempre mágico e muitas vezes, a versão para o cinema não consegue deixar transparecer toda a beleza das cenas imaginadas… talvez inclusive porque lendo, criamos nossas versões… e assistindo, temos que nos dar por contentes com a versão oferecida. Mas neste caso, foi diferente.

Passei o final da minha adolescência lendo as aventuras e torcendo pelo bruxinho que, tímido, foi ganhando força e coragem. Dos 15 para os meus 16 anos, li o primeiro livro, Harry Potter e a Pedra Filosofal. Li meio que sem querer, nas férias de final de ano. Encontrei o livro na estante do quarto da minha irmã, novinho e nunca tocado… ela havia comprado para alguma ficha de leitura da escola e como sempre adorei ler, não resisti: levei para o meu quarto e o devorei em 2 dias. Quando a Milena sentiu falta do livro, eu o devolvi já lido e perguntei se poderia ficar com ele. Ela me deu de presente meio a contragosto, hahaha.

Este primeiro livro combinava com a Martina da época: desengonçada e atrapalhada, meio sonhadora e chorona. Me identifiquei com o Harry e acordava com os cabelos iguais aos da Hermione, muitas vezes.

Tão pequetitos no primeiro filme!

Lembro que na manhã seguinte ao término do primeiro livro, fui correndo comprar o segundo Harry Potter e a Câmara Secreta. Minha mãe perguntou: “Martina, isso é para a aula?” E eu respondi: “Sim e não… mas vou precisar de  mais livros dessa série”. O Harry e suas trapalhadas na escola de magia me lembravam as minhas próprias… e a sua desatenção me lembrava a minha: “existem tantas coisas para ver e viver lá fora”, pensava  eu, trancada na sala de aula esperando ansiosa pelo recreio, com a cara enfiada nos livos e me perguntando se eu queria mesmo estar ali ou mesmo se podia estar me perguntando isso.

O cabelo de Hermione está menos rebelde no 2º filme.

Daí começou o ano letivo e comprei o terceiro livro só lá pela metade do ano. Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban me ajudou a perceber que a minha família não era assim, tão ruim… e que eu não devia ser tão briguenta. Refleti mais sobre os meus atos, sonhos, metas… aprendi a não esperar tanto por algo que ainda está por vir, consequentemente sofrendo bem menos.

 

Um pouco mais crescidos, no terceiro filme da saga.

 

Aos 17 anos li o quarto livro, Harry Potter e o Cálice de Fogo e fiquei possessa quando o menino com quem eu ficava na época me ligou bem no final do livro para falar coisas melosas. Não tive dúvidas: “Olha, acho que não dá mais… é… só amigos. Quero voltar a ler, ok? Não interessa que livro é, poxa… Mas que coisa! Errr… Tá… te ligo outra hora. Tenho palestra na escola e só depois te ligo. Tchau”. Voltei a ler e esqueci de ligar pro menino. Haha

No 4º filme, atuando de forma mais natural.

O primeiro filme eu já vi ao lado do Bruno, meu namorado na época e atual desde sempre… E fui eu que apresentei a história ao meu cunhado, que virou fã.

Já o Harry Potter e a Ordem da Fênix só fui ler anos mais tarde, quando resolvi desencanar um pouco da neura do vestibular e inclusive mudar de curso: desencanei da medicina e me preparei para tentar design em 2006, passando na Universidade Feevale e percebendo que existem mil formas de deixar a vida das pessoas melhor… e que levar cor e beleza, levar função com metodologia aplicada, entender o público-alvo e procurar tornar a vida das pessoas mais prazerosa era, com certeza, uma excelente profissão.

A trama vai adquirindo ares mais sombrios, indicando o crescimento dos personagens e do perigo que correm.

Harry Potter e o Enigma do Príncipe eu li já com meus 24 ou 25 anos, emprestado do cunhado. 2008… ano do meu primeiro estágio na área de design e ano que alavancou  a minha carreira como ilustradora freelancer. Fiz contatos importantes que mantenho até hoje, abracei projetos demais e aprendi a lidar com o tempo e com a realidade de forma mais leve e objetiva: não, eu não sou a Wonder Woman; sim, eu sou uma mortal que tem menos de 8h de sono por dia e que precisa focar o pouco que resta de seu tempo livre no que realmente vale a pena.

Compenetrados e unidos.

Harry Potter e as Relíquias da Morte eu não li. Sim… a série que permeou a minha adolescência e que me acompanhou ano após ano, foi esquecida no último volume. Até que eu assisti a parte I do filme e, neste último sábado, assisti a parte II. Ficou um vazio aqui… a incerteza se realmente compreendi o que esta saga significou para mim. No final, já não sei se a saga era do Harry e seus amigos ou da Martina confusa procurando se conhecer e entender. Cresci junto com o personagem e me sinto, sim, um pouco Grifinória.

 

Último filme da série e o fechamento de um ciclo.

 

Fica a certeza de que preciso retomar a leitura, iniciando no primeiro volume: afinal, os olhos da Martina de 27 anos estão diferentes dos da de 17, assim como sua interpretação. E será um prazer proporcionar este reencontro de ideias e sensações, de uma adolescência que correu tão bem e que deixou saudades sem deixar mágoas, trazendo a aceitação tão importante para a minha vida de adulta. Passaram-se 11 anos desde que li o primeiro livro! E namoro o Bruno já faz quase 10 anos. Nossa… como o tempo passou! E para onde ele foi? Não sei… não vi ele passar.

Adorei o filme. Adorei os livros. Não preciso nem dizer que me emocionei e chorei, né? Harry, Rony e Hermione estão adultos e lindos (e a Emma Watson receberá um post só dela, em breve… pois está linda!).

Recomendo o filme ‘Harry Potter e as Relíquias da Morte’ a todos que investiram dias e dias de leitura dos 15 aos 95 anos de idade, crescendo fisicamente e emocionalmente junto com o bruxinho mais famoso do cinema, aprendendo que somos capazes de fazer magia sempre e de qualquer lugar: não é preciso estar em Hogwarts para se sentir flutuando como uma pluma, nem em Hogsmeade para se sentir entre amigos… A Martina de hoje compreendeu que quando recebe um não de um cliente e leva numa boa; quando revida uma grosseria com um sorriso; quando consegue acordar às 5h da manhã para ir trabalhar depois de apenas 4h de sono; quando consegue administar seu tempo entre namorado, amigos, faculdade, TCC, trabalho e eventos simultâneos; quando consegue acordar 30 minutos antes da hora habitual e escolher um look legal para passar o dia fora de casa; quando consegue manter a dieta e recusar uma pizza; quando consegue escutar mais do que falar; quando consegue manter-se feliz mesmo com adversidades diárias constantes… a Martina de hoje percebe que está fazendo mágica do momento em que acorda até o momento que vai dormir. E isso a deixa feliz.

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