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Feira de vaidades

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As pessoas esquecem de onde vieram, só pode. Esquecem os parâmetros, a educação, a cordialidade. Penso que alguns só se aproximam dos outros quando vale a pena. Não para elogiar apenas por elogiar ou criticar apenas como sugestão para alguma melhoria. Os benefícios em primeiro lugar, pensam. E não sejamos hipócritas: é normal se aproximar de alguém por interesse. Ouso dizer que é sempre por interesse! Quando alguém nos faz bem de alguma forma, passamos a querer estar por perto. Isso já é interesse. Mas então, que seja sem fazer o outro de bobo, que seja de forma honesta e aberta. “Cara, te admiro. Gosto do teu blog!”, por exemplo.

O Donna Fashion Iguatemi foi e não foi bom. Gostei muito do desfile da Huis Clos. Mas não gostei de passar calor, das caras afetadas e do excesso de glitter por todo lado. Moda é isso? Caras esnobes, gente mal educada empurrando, gente conhecida fazendo de conta que é legal sem ser? (A passarela alternativa estava muito mais interessante. Vou postar fotos e tecer maiores comentários mais à frente)

Por que olha, moda para mim é comportamento. Moda é estilo. Moda é originalidade e sofisticação.  E eu errei. Ao invés de ter fotografado tanto os desfiles, deveria ter fotografado as pessoas que passaram por mim lá no Iguatemi: lindas, despretenciosas, sem efeito de champa.

Eu trabalho com moda. Atendo estilistas de várias empresas, pesquiso moda, desenvolvo estampas. O trabalho na empresa sempre corre bem. Cara feia para mim é fome, não ligo muito. Mas estes eventos de moda, embora sejam muito importantes e eu saiba disso, não me fazem bem. Acho infinitamente mais interessante fotografar um make de alguém que passa por mim às pressas, correndo para pegar um ônibus logo cedo. Acho muito mais lindo um vestido longo em alguém que está escolhendo flores na floricultura sem estar preocupado em agradar outrem. 

A rua dita conceitos e moda todos os dias. Dita, indica, modifica e transcende olhares acerca dos mais diversos pontos de vista. É para estas pessoas possíveis e desarmadas de maldade que quero criar moda. É para estas pessoas simples e elegantes que permeiam nossos caminhos todos os dias. Estas pessoas que correm, que suam, que lutam, que se atrasam, que pedem perdão e com licença.

Eu quero criar moda para os genuinamente elegantes: os educados.